BMW planeja investimento para mais um modelo no Brasil

Fábrica de Araquari (SC) evolui para produzir novas gerações de veículos

Depois de iniciar a produção da nova geração do Série 3 em julho – o carro começa este mês a ser vendido no Brasil ainda importado –, a fábrica brasileira da BMW em Araquari (SC) deverá receber novo investimento para fazer um quinto modelo no País, ainda não revelado. A planta produz atualmente o X1, X3 e o novo X4 entrou na linha de montagem em dezembro passado. Com o aporte de R$ 125 milhões, várias áreas foram modernizadas, mas a maior parte dos recursos foi usada para fazer a ainda inédita por aqui plataforma do novo Série 3. 

Fábrica catarinense completará cinco anos em outubro e já recebeu cerca de R$ 1 bilhão em investimentos

Aksel Krieger, novo presidente do BMW Group Brasil que assumiu o posto em janeiro, não revela o tamanho do investimento nem o novo modelo a ser produzido em Araquari, onde em 2018 foram produzidos 75% dos 11,3 mil BMW vendidos no mercado brasileiro – foi a segunda marca premium mais vendida do País no ano passado, cerca de mil unidades atrás da Mercedes-Benz. 

“Os custos para produzir aqui são parecidos com os da importação, mas é importante ter a fábrica para atender a demanda do mercado, que está voltando a crescer. Por isso trabalhamos muito para tornar a planta viável. Nosso papel é fazer o Brasil voltar a ter mais importância”, diz Aksel Krieger.

A BMW trabalha com projeção de crescimento de 10% do mercado de carros premium no Brasil em 2019. “Vemos o mercado brasileiro voltando a crescer e estamos otimistas, estamos em boa posição com os 20 lançamentos que faremos este ano”, revela Krieger, sem no entanto abrir a projeção da BMW. “Devemos avançar acima [da média de 10%], diz. 

MODERNIZAÇÃO CONSTANTE DA FÁBRICA

Em outubro a fábrica de Araquari completa cinco anos sem nunca ter utilizado nem metade de sua capacidade de 32 mil unidades/ano. A decisão de montar carros no País foi anunciada em 2012, motivada principalmente pelas restrições às importações impostas pelo Inovar-Auto, que vigorou de 2013 a 2017. 


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Desde 2014, quando foi inaugurada, a planta recebeu investimentos que rondam R$ 1 bilhão e já produziu mais de 50 mil veículos; 17,8 mil unidades foram do sedã Série 3 – o primeiro BMW a ser montado no Brasil. As áreas foram evoluindo gradualmente, conforme as novas gerações de veículos da marca alemã foram sendo introduzidas no País. “Com tudo que já foi feito nos últimos anos, hoje temos uma fábrica muito melhor”, afirma Gleide Souza, diretora de relações governamentais do BMW Group Brasil.

No mais recente ciclo de investimento a área de armação de carrocerias (solda) recebeu quatro novos robôs, para operar em partes mais difíceis. Mas a Magna, que opera uma linha com investimento feito pela BMW a 30 km de distância na vizinha Joinville, já faz a soldagem de partes menores com 90% da linha automatizada. 

Outra modernização foi a linha de transporte de portas, hoje operada por AGVs, transportadores automatizados que rodam sem operadores, seguindo trilha magnética no chão. 

A planta de Araquari é completa, com áreas de armação de carroceria (solda), pintura e montagem final, que hoje operam em apenas um turno de produção. As chapas estampadas são importadas da Alemanha. Entre fábrica e escritórios em São Paulo, o grupo emprega hoje cerca de mil pessoas no País, incluindo uma equipe de engenharia que vem exportando projetos para outras unidades da BMW, especialmente sistemas de conectividade e motorização bicombustível etanol-gasolina.


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