Volkswagen vai ressarcir 400 mil clientes por 'dieselgate'

Montadora fecha acordo de R$ 4,1 bilhões para encerrar processo na Alemanha

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Frankfurt | AFP

A Volkswagen irá desembolsar cerca de 830 milhões de euros (R$ 4,1 bilhões) para ressarcir cerca de 400 mil clientes em um acordo amigável concluído nesta sexta-feira (28) para encerrar o maior processo "dieselgate" na Alemanha.

A montadora propõe entre 1.350 e 6.257 euros (R$ 6.670 e R$ 30.900) por veículo de acordo com seu modelo e ano, informou a associação de consumidores VZBD, que representa os clientes nessa ação conjunta.

Entre esses clientes, segundo a associação, cerca de 260 mil são elegíveis ao acordo e receberão uma oferta da VW.

O acordo, que não abrange clientes residentes no exterior, prevê que a VZBV retire sua queixa perante o tribunal de Brunswick no final de abril, marcando o fim do processo.


Logo da montadora alemão Volkswagen; empresa fechou acordo de R$ 4,1 bilhões para encerrar processo na Alemanha
Logo da montadora alemão Volkswagen; empresa fechou acordo de R$ 4,1 bilhões para encerrar processo na Alemanha - AFP

A diretora jurídica da VW, Hiltrud Werner, elogiou um "acordo justo e viável". Já o presidente da VZBV, Klaus Müller, considerou ter negociado o "máximo possível" após discussões "difíceis".

O grupo automotivo é acusado de ter prejudicado seus clientes de forma deliberada, ao instalar, sem seu conhecimento, um dispositivo que fazia o veículo parecer menos poluente do que era na realidade.

O valor de 830 milhões de euros já havia sido estipulado em um acordo previamente negociado. Esta primeira tentativa fracassou há duas semanas, devido a um divergência sobre a remuneração dos advogados e sobre as condições de pagamento das indenizações.

Na ocasião, o grupo automobilístico e a associação de consumidores VZBV se acusaram mutuamente de serem responsáveis pelo "fracasso" das negociações. A fabricante acabou por oferecer indenizações aos seus clientes, mesmo sem o apoio da associação.

O escândalo remonta a setembro de 2015, quando a gigante automobilística alemã admitiu ter equipado 11 milhões de veículos com um software que manipulava os valores das emissões de poluentes e que assombra a indústria.

Sem uma resolução amigável, este primeiro grande processo de consumidores na Alemanha poderia se arrastar até 2023 pelo menos.

O montante de 830 milhões de euros pode parecer relativamente modesto em comparação com os 30 bilhões de euros (R$ 180 bilhões) que o Dieselgate já custou à fabricante alemã.

Até agora, grande parte dos mais de 30 bilhões de euros em multas, gastos jurídicos e indenizações paga pela Volkswagen foi nos Estados Unidos.

Na Alemanha, a VW pagou apenas três multas, totalizando 2,3 bilhões de euros (R$ 11,4 bilhões), e contesta a acusação de ter causado danos aos motoristas.

O grupo permanece sob a ameaça de uma cascata de processos civis e criminais, parte dos quais resultou em acordos.

Vários dirigentes do grupo, incluindo o atual CEO, Herbert Diess, e o presidente do conselho de supervisão, Hans Dieter Pötsch, assim como o ex-chefe Martin Winterkorn e o ex-chefe da marca Audi Rupert Stadler, estão sob investigação.

Na semana passada, os escritórios da Porsche foram alvo dos investigadores, segundo o semanário "Der Spiegel".

Em uma ação judicial iniciada há um ano, os investidores exigem compensação pela dramática queda no preço das ações nos dias que se seguiram às revelações do escândalo.

Na França, uma fundação holandesa lançou uma ação coletiva contra a Volkswagen no final de janeiro.
Além da frente jurídica, o escândalo acelerou o declínio do diesel, e os carros a diesel podem ser banidos de várias cidades alemãs por causa de seu nível de poluição por óxido de nitrogênio (NOx).

A Volkswagen tenta virar a página, investindo mais de 30 bilhões de euros em carros elétricos para atender aos rígidos padrões europeus de emissão de CO2.

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