Descrição de chapéu Previdência

Expectativa sobre reforma da Previdência determina como investir

Divergência entre governo Bolsonaro e Congresso arrefeceu, mas ainda deixa investidores desconfiados

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São Paulo

A gangorra pela qual passou o mercado financeiro em março não foi suficiente para mudar o cenário de longo prazo para investimentos. O cenário-base de analistas mantém  aprovação da reforma da Previdência neste ano.

“A minha percepção é de uma verdadeira falta de direção de como negociar a reforma da Previdência, mas sou do grupo que advoga que, sem a reforma, o país vai falir”, diz Giacomo Diniz, professor de finanças do Ibmec SP.

Ele cita a divergência política entre o governo Bolsonaro (PSL) e o presidente da Câmara, Rodrigo Mais (DEM-RJ), que fez o Ibovespa zerar os ganhos de março e o dólar se valorizar mais de 4% no mês.

O tom arrefeceu, mas ainda deixa investidores desconfiados. Para eles, o que pode mudar agora é o valor da economia e o período do ano em que a tramitação do projeto será concluída no Congresso.

A crença em uma economia próxima do R$ 1 trilhão em dez anos, como anunciado pelo governo, e uma aprovação entre o primeiro e o segundo semestre alimentam o otimismo.

Expectativa de desidratação para R$ 600 bilhões ou menos e conclusão do projeto no final do ano, indicam otimismo moderado e a percepção de que os ganhos potenciais com investimentos são reduzidos.

Nos dois cenários, pequenos investidores poderiam aproveitar para entrar na Bolsa, que ainda teria viés de alta. Do atual patamar, se a Bolsa fechar o ano em 110 mil pontos, o investidor ainda poderia lucrar 15,8%.

Marcelo Kfoury, coordenador do Centro Macro Brasil da FGV (Fundação Getulio Vargas), projeta que o mercado espera que o Congresso manterá 60% da economia proposta pela reforma. “Se parecer que vai ser pior que isso, a Bolsa pode cair mais e o dólar ir para mais perto de R$ 4”, diz.

No mercado, ainda não há quem trabalhe de forma consistente com a possibilidade de a reforma parar. Mas, se isso entrar nas expectativas, todo o cenário para investimentos muda.

A reforma da Previdência, ao lado da dificuldade de recuperação da economia, mantém a Selic no piso histórico de 6,50% ao ano.

Se a reforma não passar, o mercado vê o colapso das contas públicas, o que obrigaria o Banco Central a elevar os juros. Na prática, isso mudaria o cenário para investimentos em renda fixa.

Os que preveem o caos poderiam, portanto, investir em títulos pós-fixado, como o Tesouro Selic ou mesmo CDBs para se beneficiarem de um eventual aumento de juros.

Hoje, as projeções ainda indicam que a Selic termina o ano no atual patamar. 

Outro “botão de pânico” é o dólar: a moeda americana fechou março na faixa de R$ 3,90. Correr para a moeda americana a esta altura tende a ser arriscado. 

A máxima que atingiu no ano passado foi de R$ 4,20, quando a crise externa e a incerteza eleitoral chegaram ao ápice. Isso representaria um potencial de ganho de 7,7%, índice modesto na comparação com o rendimento em aplicações seguras de renda fixa.

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